O exame oftalmológico de rotina é uma prática salutar, que colabora para a detecção precoce de doenças importantes e diminuição dos casos de baixa visão na população

A maioria dos pacientes que procura o oftalmologista, o faz quando há uma deficiência na visão ou algum sintoma ocular. Raramente os exames oculares são de rotina, diferente do que ocorre com os cardiologistas ou ginecologistas

Importante ressaltar que muitas doenças oculares diagnosticadas e tratadas precocemente podem evitar a cegueira.

Saiba sobre algumas das doenças mais comuns, que são detectáveis no exame ocular com o oftalmologista:

  1. Estrabismo e Ambliopia:

    Popularmente chamado de “olho torto”, o estrabismo é a perda no paralelismo dos olhos; isto é, quando observamos um objeto a distância, os olhos devem se posicionar paralelamente para que o cérebro consiga fundir numa só a imagem que cada olho recebe. Já, quando olhamos para perto, os olhos devem convergir, e igualmente focar o mesmo ponto. Qualquer alteração nesse sincronismo caracteriza um estrabismo. O estrabismo pode ser congênito (estar presente no nascimento ou surge nos primeiros meses de vida) ou adquirido (por doenças como catarata, anisometropia , traumatismo , diabete, etc..). Além do transtorno estético, o estrabismo quando não tratado, pode levar a ambliopia, quando um dos olhos fica com visão mais fraca, devido ao desvio. O tratamento para a ambliopia é a oclusão do olho bom, forçando o preguiçoso a enxergar.

  2. Glaucoma:

    É uma doença ocular causada pela lesão progressiva das fibras do nervo óptico, que reduz o campo visual e tem como fator de risco principal a pressão intraocular elevada. Entre os tipos de Glaucoma, o mais frequente é o Glaucoma Crônico de Ângulo Aberto, uma doença assintomática em seus estágios iniciais, que, no entanto, pode evoluir e levar à cegueira total. Um indivíduo pode viver durante anos com a pressão intraocular elevada sem notar qualquer sinal do glaucoma, até o momento em que começa a enxergar as coisas como se olhasse através de um túnel. Nesse estágio, seu campo visual já se apresenta muito comprometido e a perda é irreversível. Por esse motivo, é altamente recomendável - em especial à população com mais de 40 anos ou antes em indivíduos com histórico familiar da doença - fazer exames oftalmológicos de rotina para prevenir ou mesmo detectar e tratar precocemente a doença.

  3. Catarata:

    A catarata consiste na opacificação do cristalino (a lente natural do olho) que atrapalha a entrada de luz nos olhos, acarretando a diminuição da visão. As consequências variam desde pequenas distorções visuais até a cegueira total. Geralmente, a doença manifesta-se de forma gradual e pode ocorrer nos dois olhos simultaneamente.

  4. Retinopatia Diabética:

    Alterações na retina (fundo do olho) relacionadas a Diabetes.

  5. Retinopatia hipertensiva:

    Alterações na retina (fundo do olho) relacionadas a Diabetes.

  6. Degeneração Macular relacionada a idade (DMRI):

    A degeneração macular relacionada à idade (DMRI) é a doença ocular que acomete as regiões da retina e coróide responsáveis pela visão central, percepção de cores e definição de detalhes. Pode se apresentar na forma seca e úmida. Quanto mais precocemente a DMRI úmida é detectada, maiores as chances de recuperação visual.


Recomendações:

O recomendável é examinar a criança no berçário (teste do olhinho *) e com 4, 5, 6 e 7 anos ou a qualquer momento, se for detectado algum problema ocular. Se os pais forem estrabicos, se tiverem grau alto nos óculos, aconselha-se fazer exame com 2 anos de idade. Nos jovens, um exame de rotina a cada 2 anos é recomendável. No adulto e idoso, o exame oftalmológico deve ser uma vez ao ano (caso não haja nenhuma doença detectada).

Prof. Dr. Paulo Augusto de Arruda Mello
Professor Associado do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo
Presidente da Sociedade Latino Americana de Glaucoma