Article Cover

Dá-se o nome de glicemia à concentração de glicose encontrado no plasma, ou seja, em termos práticos, à quantidade de açúcar no sangue. O aumento excessivo da glicemia chama-se Hiperglicemia, isto é, quando existe excesso na quantidade de açúcar no sangue. A diabetes é uma doença que se caracteriza pela Hiperglicemia.

Pacientes com diabetes apresentam flutuações na visão pelas mudanças na estrutura do cristalino (lente natural do olho, localizada atrás da pupila). Na Hiperglicemia elevada há um aumento da espessura do cristalino, provocando miopia, (Figura 1). É a miopia de índice. Assim, se você fizer exame de vista com Hiperglicemia (glicemia alta), a receita dos óculos poderá estar com grau errado.

Hiperglicimia

Em pesquisa realizada em pacientes internados com glicemia normal injetaram glicose na veia, promovendo Hiperglicemia. Constatou-se que todos tiveram um aumento da miopia nos primeiros 15 minutos e chegaram à diferença de aproximadamente um grau de miopia após 45 minutos, sendo esta alteração é bilateral e aguda2.

Em geral, a mudança de grau causada pela alteração da glicemia, pode levar até duas semanas para ser resolvida, mesmo após o seu controle. Durante a Hiperglicemia, pode ocorrer o desenvolvimento de catarata cortical, além das alterações na espessura do cristalino e diminuição da profundidade da câmara anterior. A evolução dessa catarata cortical geralmente é lenta e progressiva.

Bibliografia
1.Portal da Diabeteshttp://www.apdp.pt/index.php/saber-mais/glossario
2. Benjamin, William J. Borish's Clinical Refraction. Refractive effects of systemic disease. Elsevier's Health. Philadelphia; 2006. p1650-1652.

Dilatar a pupila no exame Oftalmológico significa colocar um colírio que aumentará o diâmetro da pupila (orifício localizado no centro da Iris; popularmente chamada de menina dos olhos). (figura 1)

Essa dilatação pode ser:

  1. midríase: mais simples, aumenta o diâmetro da pupila sem alterar a acomodação. Usada para verificar o fundo do olho.
  2. cicloplegia: além de aumentar o diâmetro da pupila, também paralisa temporariamente a ação dos músculos ciliares interrompendo a acomodação (importante no exame para ver o grau).
Pupila

Porque dilatar as pupilas?

Nas crianças e jovens:
A criança tem uma capacidade, chamada acomodação, pela qual ela pode mudar o formato interno da lente denominada cristalino e corrigir hipermetropia ou aumentar miopia, dificultando a medida do grau. Para saber o grau exato dos óculos, é necessário anular a acomodação (dilatar a pupila)1.

Em todas as idades:

A dilatação da pupila ajuda a investigar problemas oculares no fundo do olho.
Fazer um exame completo com a dilatação da pupila é uma das melhores coisas que se pode fazer para proteger a saúde dos olhos. Neste procedimento, o oftalmologista examina os olhos a procura de problemas comuns de visão e doenças oculares, muitas das quais não têm sinais de alerta2.

O que o paciente sente ao dilatar a pupila?

Na instilação: os tipos de colírios existentes costumam irritar um pouco os olhos, provocando ardência temporária.
Quando já estiver dilatado: o paciente terá aflição da luz (fotofobia) e dificuldade em executar atividades para perto (leitura, escrita, bordado..). Por essa razão não convém levar as crianças para exame no período de provas ou quando há entrega de trabalhos para o dia seguinte.
Normalmente, a dilatação permanece por 12 a 24 horas.

Como é o exame de fundo de olho com dilatação de pupila?

Após dilatar a pupila (demora em média meia hora), o oftalmologista usará lentes de aumento especiais para examinar a retina a procura de lesões e outros problemas oculares, tais como as retinopatias diabética ou por hipertensão arterial e degeneração macular relacionada à idade. O exame também permite verificar se há danos no nervo óptico e a escavação nos portadores de glaucoma.

Referências
1.http://www.cbo.com.br/pacientes/duvidas/duvidas_exame_oftalmologico.htm
2. http://www.lionsclubs.org/PO/common/pdfs/iad448.pdf

Visão central é aquela na qual a imagem vai diretamente em uma área chamada mácula (parte da retina). Essa visão é cheia de detalhes.

Quando o oftalmologista mede a visão de longe e de perto no consultório, ele está observando a percepção visual central.

Visão periférica é aquela que se forma fora da mácula, na periferia da retina.

Essa visão é pouco rica em detalhes, percebe-se a presença dos objetos e movimentos, mas nada nítido. É importante para se locomover, principalmente à noite (com pouca iluminação).

O exame de Campo Visual é aquele que verifica toda a área periférica da visão. O aparelho utilizado é o campímetro computadorizado que informa pequenas ilhas de falha da visão, chamadas de “escotomas”.

O Campímetro computadorizado também mostra as perdas periféricas, que podem ocorrer nas doenças como o glaucoma e a retinose pigmentar, e perdas totais de quadrantes ao que se dá o nome de “hemianopsia” .

Visão CP

Teste de Schirmer

Esse teste é realizado com uma fita de papel de filtro Wattman n 41, medindo 5 x 3mmm que tem uma de suas extremidades dobrada e colocada entre a porção temporal de pálpebra inferior e o globo ocular. Após 5 minutos, mede-se a quantidade de umidificação do papel.

Se o exame for realizado sob anestesia tópica (uma gota de colírio anestésico) o exame é considerado normal quando há uma umidificação maior do que 5 mm. Se o exame for realizado sem anestesia o resultado varia muito conforme a idade do paciente, em jovens pode chegar a 70 mm.

Teste de Rosa Bengala

Este teste estuda a vitalidade do epitélio corneoconjuntival. Instila-se uma gota do colírio e após várias piscadas observa-se, com a lâmpada de fenda, o padrão de coloração de córnea e conjuntiva.

Teste do rompimento do filme lacrimal

Este exame visa medir o tempo que o filme lacrimal se mantém íntegro sobre a superfície ocular, quanto mais instável for o filme lacrimal menor será o tempo de filme íntegro. Para realizar este exame a lágrima é corada com fluoresceína (bastão) e após algumas piscadas voluntárias orienta-se o paciente a manter o olho aberto. O filme lacirmal é observado com a luz azul (de cobalto) e o tempo entre a última piscada e ruptura do filme é cronometrado e é considerado normal se for entre 8 e 15 segundos.

Prof. Dr. Paulo Augusto de Arruda Mello
Professor Associado do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo
Presidente da Sociedade Latino Americana de Glaucoma