Nosso globo ocular tem uma fina membrana transparente chamada de conjuntiva, que reveste a esclera (parte branca do olho) e também a face posterior das pálpebras- figura 1. Essa membrana ajuda a proteger o olho contra corpos estranhos e infecções, mas ela pode inflamar mediante substâncias químicas ou por reações alérgicas ou pode ser infectada por vírus ou bactérias. Sua inflamação tem o nome de conjuntivite.

Clínica de Olhos Arruda Mello | Conjuntivite

A conjuntivite pode ser infecciosa ou não, e é por isso que nem todas as conjuntivites são transmitidas para as outras pessoas.

Os tipos mais comuns de conjuntivite são:

  • a) Conjuntivite alérgica (primaveril): à poeira, ao mofo, pelos e descamações de animais ou ao pólen e pode ser irritada pelo vento, pela poeira, por fumaças e outros tipos de poluição do ar.
  • b) Conjuntivite por vírus, bactéria: Ela também pode ser irritada por um resfriado comum, por uma lente de contato contaminada, ou por um episódio de sarampo.
  • c) Conjuntivite Térmica: A luz ultravioleta de uma solda elétrica de arco, de uma lâmpada de bronzeamento pode irritar a conjuntiva.
  • d) Conjuntivite por secura ocular: também provoca irritação na conjuntiva, chamada de conjuntivite por olho seco.
  • d) Outras causas: Algumas vezes, pode ser causada por doenças nas quais existe alteração na posição das pálpebras, por exemplo, virada para fora (ectrópio) ou para dentro (entrópio), por distúrbios dos canais lacrimais.
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Figura 2. Conjuntivite por vírus. | Fonte da imagem: www.radio.rpp.com.pe

Seus principais sintomas são: olhos vermelhos, sensação de cisco ou areia, secreção(ramela) amarelada e muitas vezes ao acordar, as pálpebras estão coladas, coceira, sensibilidade à luz (fotofobia) e visão borrada.

Algumas vezes, no entanto, a conjuntivite assemelha- se a doenças muito sérias, como a irite (uma inflamação ocular mais grave) ou mesmo ao glaucoma agudo (uma doença grave que pode levar à cegueira). O médico geralmente consegue diferenciar essas doenças. Por isso, no caso de ter os sintomas descritos acima, procure seu oftalmologista.

Importante:

Cada época do ano é mais comum um tipo de conjuntivite, assim na primavera temos mais a alérgica promovida pelo pólen. No verão a infecciosa, promovida por águas contaminadas (mar, piscina). No inverno também infecciosa devido à maior frequência das infecções das vias aéreas na população.

Prevenção: Para a prevenção, devemos lavar as mãos com frequência, usar toalha exclusiva ou de papel, não usar travesseiros de outras pessoas, não coçar os olhos, evitar aglomerações. Não encostar seu rosto no rosto de pessoas com conjuntivite ou olhos bem vermelhos. No verão cuidado com piscinas e praias contaminadas. Cuidados com a higiene ajudam a controlar o contágio. Se você estiver com conjuntivite mantenha suas mãos higienizadas. E lembre-se: -pessoas imunodeprimidas podem ter conjuntivites agravadas.

Tratamento: O tratamento deve ser feito de acordo com o agente causador. Assim, para cada tipo de conjuntivite existe um tratamento. Sempre consulte o oftalmologista quando estiver com conjuntivite ou com suspeita de conjuntivite. E não use colírios indicados por amigos ou balconistas das farmácias, pois não são médicos e não sabem qual o tipo de conjuntivite que você está. Também é comum se automedicar. Não faça isso! Pode agravar o quadro e levar a sérias consequências.

Mitos:

  1. É mito acreditar que podemos pegar conjuntivite infecciosa de outra pessoa pelo ar. Pelo ar só alérgicas e tóxicas.
  2. Outro mito é acreditar que pingar limão nos olhos; ou água benta; ou água boricada; ou urina.... cura a conjuntivite. Isso não é verdade! Além de não curar, pode piorar o quadro clínico.
  3. Também é mito é acreditar que se tiver conjuntivite a sua imunidade esta baixa.

Prof. Dr. Paulo Augusto de Arruda Mello
Professor Associado do Departamento de Oftalmologia da Universidade Federal de São Paulo
Presidente da Sociedade Latino Americana de Glaucoma